Chegamos ao
último domingo do Ano Litúrgico! A Igreja nos convida a olhar para a
direção de Cristo, Senhor e Rei do Universo. Toda a nossa vida, como a
liturgia, é para que Cristo reine no mundo. É também o Dia do Cristão
Leigo. A sua presença no mundo testemunhando Jesus Cristo é a grande
missão de discípulo missionário. Estamos recebendo nesta última semana
do ano litúrgico representantes de quase uma centena de nações que virão
ao Rio de Janeiro, junto com o Pontifício Conselho dos Leigos, para os
preparativos da JMJ Rio 2013. Esse gesto é muito significativo: todo o
nosso trabalho e a vida dos jovens é para que Cristo, reinando nas vidas
e nos corações de todos, com uma nova vida no coração e nas atitudes,
caminhem na direção da civilização do amor.
É domingo de Cristo
Rei! Nós recordamos que chegada a sua hora, Jesus é levado a Pilatos
para que ele ratificasse a decisão do Sinédrio e o condenasse à morte.
Pilatos lhe pergunta: “És tu o rei dos judeus?” Respondeu Jesus: “Tu o
dizes. Sou rei”. Na sequência do interrogatório, Jesus afirma que seu
Reino não é deste mundo e a ele veio para dar testemunho da Verdade.
Pilatos indaga: “O que é a Verdade?”.
O Reino de Deus é um
mistério! Só com os olhos da fé podemos entendê-lo. Somente a fé é capaz
de abrir nossos olhos para o plano da Providência Divina sobre o
universo criado, sobre a presença do mal na história e o mistério do
Reino que triunfará.
Vivemos dias difíceis. O mistério da
iniquidade parece dominar todos os setores da civilização atual. A cada
novo dia novos problemas e violências aparecem por todos os cantos do
mundo. Como predisse Jesus, nos textos escatológicos do Evangelho,
nações se erguem contra nações, povo contra povo e, no meio do mesmo
povo, as desordens de todo o gênero a nos colocar, a todos, diante da
destruição moral e física, diante da morte. Parece ver a fotografia de
nossos jornais, revistas e noticiários diários e semanais.
Mas,
“Importa que Ele reine até que seus inimigos caiam a seus pés.” E para
esta missão o Senhor nos chamou quando, glorificada a sua humanidade,
ascendeu aos céus e nos mandou ir para anunciar o seu Reino a todos os
povos.
Nos prenúncios da Nova Evangelização, sobre o que se
insiste hoje na Igreja, como bem refletiu o Sínodo dos Bispos
recém-findo, já no limiar do século XX, Pio XI instituiu esta festa para
que, de uma forma conveniente com a cultura atual, fosse entendida pela
civilização de hoje, e nós, cristãos, levássemos o mundo ao
conhecimento da Verdade e proclamássemos o Reino que está entre nós e
pelo qual anseia o coração humano e aspira toda a criação, como ensina
São Paulo.
Como os apóstolos, quando, com o Mestre, se dirigiam à
Jerusalém para o embate final da cruz, ainda temos em mente um reino
terrestre, em que desejamos um lugar proeminente. Mas Jesus desfaz essas
pretensões e apresenta o modelo do seu Reino, onde todos são irmãos e
servem uns aos outros na caridade que emana do amor ao Pai. Serão esses
que, sendo discípulos de Jesus, anunciam-No ao mundo com sua palavra e
testemunho.
O evangelista João nos atesta a geração eterna do
Verbo, que se tornou homem para testemunhar a Verdade. Que veio para o
que era seu povo e não foi por esse reconhecido. Ele mostrou seu poder
às multidões que O seguiam, que o quiseram fazer rei, não entendendo o
milagre da multiplicação dos pães, como nos relatam os sinóticos.
Cristo
é o Rei do Universo, não como os reis terrenos, cuja glória é fugidia e
cujo poder é limitado. O pão que Ele nos dá não é como o maná que
nossos pais comeram e morreram todos eles, porque é Ele próprio o pão da
vida.
São Paulo, escrevendo aos Colossenses, canta a grandeza
desse mistério que Deus nos revelou pelo seu Cristo. Por Ele e para Ele
foram feitas todas as coisas, as visíveis e as invisíveis.
Ele é o
Primogênito dos mortos, em quem reside toda a plenitude e poder, para
que por Ele fossem destruídos o pecado e a morte e por Ele e Nele,
libertos da corrupção e da morte, todos participassem de seu Reino de
Santidade e de Vida, Reino de Justiça e Verdade, de Amor e de Paz.
Neste
final de semana começamos também a Campanha para a Evangelização em
todo o Brasil, que, no terceiro domingo do Advento, após as reflexões
próprias deste tempo, chegaremos à coleta nacional pela evangelização. O
tema está bem dentro desse clima que vivemos neste domingo e na
preocupação com a nova Evangelização: “Eu vi e dou testemunho: Ele é o
Filho de Deus” (Jo 1, 34) e por isso somos chamados ao Evangeli-já.
Essas reflexões sobre a necessidade de evangelizar devem ajudar a Igreja
a ser cada vez mais um sinal do Reino de Deus no mundo de hoje.
Nesta
solenidade de Cristo Rei que encerra o ano litúrgico, como uma coroa de
toda uma vivência cristã, alicerçada na fé, proclamemos em nossos
corações a realeza de Cristo e renovemos nossa consagração batismal de
levar o Seu nome a todas as gentes, a todas as atividades humanas,
santificando-as por Seu nome.